Infértil Visível

Casa da Cultura da América Latina, CAL-UnB, 2018

Uma das definições de jardim é a de terreno destinado a estudos botânicos ou à exibição pública de plantas. Na mostra Infértil Visível, Isabela Couto nos apresenta trabalhos que partem do pensamento sobre a distribuição dos vegetais na superfície terrestre, das causas dessa distribuição e dos elementos constitutivos dos meios biológicos e urbanos. Uma espécie de fitogeografia poética. É criada então, uma paisagem que transita entre o real e o imaginário, entre o orgânico e o sintético, o visível e o invisível.

 

Nesse ambiente nos deparamos então com pequenos ecossistemas criados, pensados, manipulados e expostos ao olhar do público, os terrários. Estes funcionam como uma vitrine da natureza manipulada, pensada para o olhar humano sobre a vida vegetal. A distorção das escalas reverberam a relação de poder e superioridade estabelecida pelo homem sobre a natureza.

 

Paralelo a isso existe também uma arqueologia da arquitetura da galeria que se confunde com a do próprio planeta. Nos desenhos onde as camadas geológicas terrestres fantasiadas pela artista se entranham nas paredes, revelam-se as estruturas e as camadas da sala. Os escombros e entulho resultantes dessa ação, por sua vez, originam a fonte.

 

A mostra é um convite a visitar um universo híbrido e fantástico, brincando com fronteiras que tencionam relações entre o que está dentro e o que está fora. O que é visível e o que é velado, uma vida que observa e influi sobre a outra. Sobre uma natureza construída, criada, humana. Propõe-se uma reflexão sobre as interferências humanas sobre a natureza e como esses organismos germinarão, aonde essas confluências irão nos levar.

texto e curadoria

Gisele Lima

Infertile Visible

Cal, Casa da Cultura da América Latina, CAL-UnB 2018

One of the definitions of garden is that of land intended for botanical studies or the public display of plants. In the Infertile Visible, Isabela Couto presents works that start from the thought about the distribution of the plants in the terrestrial surface, of the causes of this distribution and the constituent elements of the biological and urban means. A kind of poetic phytogeography. It is then created, a landscape that transits between the real and the imaginary, between the organic and the synthetic, the visible and the invisible.

In this environment we are then faced with small ecosystems created, thought, manipulated and exposed to the public eye, the terrariums. These function as a showcase of manipulated nature, designed for the human eye on plant life. The distortion of the scales reverberates the relationship of power and superiority established by man over nature.

Parallel to this there is also an archeology of gallery architecture that is confused with that of the planet itself. In drawings where the terrestrial geological layers fantasized by the artist are embedded in the walls, the structures and the layers of the room are revealed. The debris and debris resulting from this action, in turn, originate the Fountain.

The show is an invitation to visit a hybrid and fantastic universe, playing with boundaries that intend relations between what is inside and what is outside. What is visible and what is veiled, a life that observes and influences the other. About a built, created, human nature. It is proposed to reflect on the human interference with nature and how these organisms will germinate, where these confluences will lead us.

Text e curator

Gisele Lima